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E ae pessoas! Já postei aqui no blog um artigo sobre a Psicologia das Cores que mostra que cada cor pode ter uma série de significados que despertam emoções e sentidos. Mas as cores abrangem muito mais que isso. Por isso existe a Teoria das Cores, um estudo sobre as cores que envolve desde a parte fisiológica das cores (como enxergamos as cores) até seu uso final, aonde entra a psicologia.

Neste artigo, vou explicar um pouco mais sobre a Teoria das Cores. E para começar, precisamos iniciar com uma pergunta simples: o que é cor?

Cor: quem és tu e como funciona?

Cor é como o cérebro interpreta os sinais vindos dos olhos, uma percepção visual, ou seja, como detectamos a luz e interpretamos as consequências deste estímulo.

De um lado, temos os fótons, partículas que transportam a energia da radiação eletromagnética, e que formam a quantidade elementar (quantum) que define a luz. Resumindo, são os pacotes de energia que andam pela luz.

Do outro, temos as células especializadas na retina que capturam o sinal vindo dos foto-receptores através de moléculas neurotransmissoras liberadas em uma taxa medida pela intensidade de luz: quanto mais luz, menos moléculas são liberadas pelos foto-receptores, então menor é o sinal.

Imagem via Wikipedia
Nosso olho, tendo a retina (H) e o nervo óptico (G)

Nosso olho, tendo a retina (H) e o nervo óptico (G)

Quando um feixe de fóton atinge essas células, uma informação é pré-processada e depois enviada ao nervo óptico através de impulsos elétricos. Esse processo gera imagens na retina que são retidas e traduzidas para o cérebro.

Se nossos olhos pegam as luzes que existem ao nosso redor e converte isso em informação visual, como que surge a cor nisso? Precisamos primeiro saber o que forma a luz. Prepare-se que vem ciência pesada.

A dualidade da luz

O famoso cientista Isaac Newton definiu que a luz era composta de partículas semelhante a pequenas esferas que colidiam com as superfícies, causando um efeito de reflexão e refração.

Porém, alguns séculos depois, James Maxwell estudou a luz e o magnetismo e chegou a conclusão de que as duas se integram, sendo assim definido que a luz é uma onda eletromagnética, uma combinação de campos elétricos e magnéticos que se propagam no espaço.

Ele pegou equações criadas por quatro cientistas: Charles Augustin de Couloumb, André-Marie Ampère, Carl Friedrich Gauss e Michael Faraday, que estudaram a eletricidade e o magnetismo, e assim criou um conjunto de quatro equações que demonstram como os campos elétrico e magnético interagem, formando a base do eletromagnetismo.

Depois, Albert Einstein também estudou a luz, propondo que a radiação eletromagnética apresenta uma grandeza física (propriedades mensuráveis) encontrada em múltiplos inteiros de uma quantidade elementar (quantum), sendo assim, ela deveria ser quantizada. E que o quantum que definiria a luz era o fóton. O que quer dizer que a luz pode se comportar como uma corrente de fótons, que carregam energia, sendo assim, algo mensurável.

Como dito antes, o fóton são partículas que transportam a energia da radiação eletromagnética, e devem conter uma quantidade fixa de energia que é definida pela equação de energia do fóton (E = hf). A quantidade mínima de energia que uma onda eletromagnética deve ter corresponde ao valor desta equação ou pode ser um múltiplo inteiro disso.

Juntando tudo isso, percebemos que a luz é tanto uma onda quanto partículas: sofre fenômenos como refração, dispersão e polarização, que são característicos das ondas, mas também apresenta efeitos fotoelétricos, ou seja, emite elétrons devido a radiação eletromagnética.

O espectro eletromagnético

As ondas eletromagnéticas apresentam três características importantes: o período (tempo que a onda leva para percorrer um ciclo), frequência (número de ciclos por unidade de tempo, medido por Hertz, que corresponde a um ciclo por segundo) e fase (representa o avanço ou atraso da onda em relação ao ponto de origem).

Observando isso, pode-se mapear o espectro eletromagnético, indo do rádio, que apresenta baixíssima energia e um grande comprimento de onda até o gama, que apresenta altíssima energia e um comprimento de onda bem pequena.

Imagem via Brasil Escola
As ondas existentes, ilustradas no espectro eletromagnético

As ondas existentes, ilustradas no espectro eletromagnético

A luz visível está bem no meio, com uma energia e comprimento balanceados. E nesta faixa, algumas partes delas podem apresentar um comprimento de onda e uma frequência específica em tera-hertz que, quando refletidas, é capaz de formar uma cor.

Esta cor é determinada pelo tanto de comprimento de onda não absorvida pelo objeto. A quantidade refletida é o que define sua cor. A cor vermelha apresenta uma frequência menor e logo, menos energia, enquanto a violeta apresenta uma frequência maior, tendo mais energia.

Cor Frequência Comprimento de onda
Violeta 790 ~ 680 THz 380 ~ 440 nm
Azul 680 ~ 620 THz 440 ~ 485 nm
Ciano 620 ~ 600 THz 485 ~ 500 nm
Verde 600 ~ 530 THz 500 ~ 565 nm
Amarelo 530 ~ 510 THz 565 ~ 590 nm
Laranja 510 ~ 480 THz 590 ~ 625 nm
Vermelho 480 ~ 405 THz 625 ~ 740 nm

Abaixo da frequência da cor vermelha, vem o infravermelho, que já não é visível ao nossos olhos. Acima da frequência do violeta vem o ultravioleta, que também não é visível.

Podemos dizer que a cor branca, na luz, é a sobreposição de todas as cores, e é a simples presença da luz, e a preta, é a ausência. Então não podemos chamar a cor branca e preta de cores. A variação de cores reais na luz visível formam o que chamamos de espectro visível.

Imagem via Info Escola
Faixa dentro do espectro visível, na escala em comprimento de onda (nm)

Faixa dentro do espectro visível, na escala em comprimento de onda (nm)

Alguns exemplos famosos de espectro visível é o prisma, aonde a luz sofre um efeito chamado refração, que é quando a luz muda de meio de propagação. No caso do prisma, a luz sofre a refração de tal forma que as cores acabam sendo separadas.

Imagem via Wiki Metal
Tem melhor imagem de prisma do que a capa do disco "Dark Side of the Moon" da banda Pink Floyd?

Tem melhor imagem de prisma do que a capa do disco “Dark Side of the Moon” da banda Pink Floyd?

Outro exemplo de espectro visível é o arco-íris, que acontece quando a luz passa por várias gotas de água presentes no ar, fazendo as cores se separarem.

Os Sistemas de Cores

Anos de estudos sobre as cores resultaram em dois grupos de sistemas de cores que tentam organizar a nossa percepção sobre as cores. A primeira seria o sistema de cores aditivas, que são cores obtidas através de uma fonte luminosa. Já a segunda é um sistema de cores subtrativas, que são cores obtidas através do reflexo da luz sobre uma superfície.

Cores Aditivas

É também conhecido como Sistemas de Síntese Aditiva e Sistemas de Luz, e trata das cores obtidas pela luz, sendo usados em aparelhos de luz, de foto, filmagem, TV, monitores e outros eletrônicos que geram imagens através da luz.

Nos sistemas aditivos, a junção das cores formam o branco. Existem vários sistemas de cores aditivas, sendo o mais usado o RGB.

Sistema RGB

RGB

Seu nome signifca Red, Green & Blue, inglês para Vermelho, Verde e Azul. São os três comprimentos de ondas que quando somadas, formam o branco.

Surgiu inicialmente através de uma teoria desenvolvida por Thomas Young aonde ele sugere que o olho humano possui três receptores, cada um mais sensível a um comprimento de onda. Como você deve ter percebido, são as cores vermelho, verde e azul. Dependendo do comprimento da onda, os receptores reagiriam com uma certa frequência, resultando em cores secundárias, terciárias, e por aí vai.

James Maxwell também colaborou com o RGB desenvolvendo uma representação das cores conhecida como “Os Triângulos de Maxwell”.

Imagem via Universia Enem
Triângulo de Maxwell

Triângulo de Maxwell

Em telas, a imagem é formada por pixels, cada um formado pela soma das cores primárias do RGB. Cada pixel usa a combinação dessas cores para atingir uma cor mais adequada. As telas atuais conseguem gerar 24 bits (3 bytes) de informação para cada pixel, sendo 8 bits (1 byte) para cada canal de cor.

Esses bits são referentes ao índice de cores da profundidade de cores, um termo da computação gráfica, aonde 1 bit por pixel é igual a 2 cores, ou 21, que indica monocromia, ou seja, preto e branco. Sendo assim, 8 bits é igual a 28, que é igual a 256 cores.

Se cada canal consegue gerar uma variação de 256 cores dela, multiplicado aos outros canais, obtemos 16.77.216 milhões de possíveis cores, ou 2563, permitindo uma variação de cores com brilhos, saturações e tons variados.

Isso explica o limite de valores que os canais de cores RGB utilizam, que vai de 0 a 255. Por exemplo, a cor vermelha seria equivalente ao valor RGB(255,0,0), aonde a primeira cor é o canal vermelho, o segundo é o canal verde e o terceiro é o canal azul. Branco seria o RGB(255,255,255), a soma das três cores. E preto seria o RGB(0,0,0), a ausência das três cores.

Sistemas HSB/HSV e HSL

HSB/HSV

Duas representações do sistema HSB, respectivamente, sendo que na primeira, o anel representa a matiz e o triângulo representa a saturação e brilho, na segunda, o meio do círculo até a metade do raio define a saturação e do meio do raio até o limite define o brilho, enquanto o ângulo define a matiz, sendo esse segundo podendo representar tanto o HSB quanto o HSL

Esse sistema foi nomeado com base em três parâmetros: Hue, inglês para matiz; Saturation, inglês para saturação; e Brightness, inglês para brilho. Esse sistema também é conhecido como HSV, aonde V representa Value, ou valor em inglês, mas nas cores em nada diferencia do brilho.

Foi criado em 1974 por Alvy Ray Smith, Ph.D. em ciência da computação, enquanto trabalhava no Xerox Palo Alto Research Center (PARC).

O valor dos três parâmetros definem como será a cor:

  • Matiz: é uma cor do espectro visível, incluindo o magenta, não presente no espectro. É medido de 0 a 360 graus, sendo 0 graus e 360 a cor vermelha, 120 graus a cor verde, e 240 graus a cor azul;
  • Saturação: também conhecido como pureza ou croma, define a presença do cinza na cor. Quanto maior o valor, mais pura a cor é. O valor vai de 0% a 100%;
  • Brilho: também conhecido valor ou luminosidade, o brilho define a claridade da cor. Quanto maior o valor, mais brilhante é a cor. O valor vai de 0% a 100%.

Uma outra variação desse sistema é o HSL, aonde L representa Lightness, luminosidade em inglês. Enquanto o HSB procura exibir o jeito como tintas de várias cores se misturam, o HSL procura se parecer mais com os modelos de cores perceptíveis, ou seja, luz.

No HSL, as cores puras apresentam luminosidade de 0,5, o que seria equivalente ao brilho de 50% do HSB. Se a luminosidade é colocada em 1, a cor ficaria totalmente branca independente da saturação. No HSB isso seria equivalente a 100% de brilho e 0% de saturação.

Sistema LAB

Imagem por Holger Everding via Wikipedia
O modelo 3D de cores LAB, visto de cima e de lado

O modelo 3D de cores LAB, visto de cima e de lado

Também conhecido como CIE Lab* ou CIELAB, esse sistema menos conhecido foi criado em 1976 pela International Commision on Illumination (CIE), desenvolvido para ser perceptivamente uniforme com respeito a visão da cor humana, significando que a mesma quantidade de mudança numérica nos seus valores correspondem a mesma quantidade de mudança visualmente percebida.

Ela é indicada para uso quando é preciso converter RGB para CMYK, pois a gama do LAB incluí tanto os modelos RGB quanto o modelo CMYK. Sendo assim, pode-se dizer que este modelo é independente de dispositivos.

Sua representação seria algo 3D e possibilita uma infinidade de cores. Seu sistema usa três parâmetros:

  • Luminosidade: define a luminosidade da cor, indo de 0% a 100%, sendo 0% o preto mais escuro e o 100% o branco total, mas isso vai depender dos outros dois parâmetros;
  • A: define o eixo horizontal do modelo 3D LAB, que vai do verde em seu valor negativo (-127) ao vermelho em seu valor positivo (128). Seu centro, valor 0, representa um cinza neutro;
  • B: define o eixo vertical do modelo 3D LAB, que vai do azul em seu valor negativo (-127) ao amarelo em seu valor positivo (128). Seu centro, valor 0, representa um cinza neutro.

Por ser um modelo que apresenta uma possibilidade de cores maiores que a quantidade de cores que monitores e outros dispositivos conseguem exibir, uma imagem que usa modelo Lab precisa ter mais dados por pixel para conseguir obter a mesma precisão que uma imagem RGB ou CMYK.

Porém, a medida que os hardwares e softwares vão evoluindo e suportando cada vez mais bits no armazenamento e manipulação dos canais do RGB, mais preciso fica a conversão do LAB para RGB. No futuro, podemos esperar uma facilidade maior em obter cores mais fiéis à nossa visão a medida que a tecnologia evolui.

A parte ruim do LAB é que boa parte de seu espaço de coordenadas não podem ser gerados por distribuições espectrais mais conhecidos, o que quer dizer que boa parte de suas cores tornam-se inválidas, não podendo ser chamadas de cores.

Porém, o legal do LAB é que ele é livre de licença já que é gerado totalmente por matemática, estando então em domínio público.

Cores subtrativas

É também conhecido como Sistemas de Síntese Subtrativa e Sistemas Pictóricos, e trata das cores obtidas pela pigmentação, sendo usados em impressões gráficas ou em pinturas.

Nos sistemas subtrativos, a junção das cores formam o preto. Existem vários sistemas de cores subtrativas, sendo o mais usado o CMYK.

Sistema CMYK

CMYK

Seu nome significa Cyan, Magenta, Yellow & Black, inglês para Ciano, Magenta, Amarelo & Preto. Foi escolhido o “K” como quarta letra pois “B” poderia significar “blue”, azul em inglês (há muitas discussões sobre concordar ou não sobre o uso da letra K). São cores que vem da parte da luz que não são absorvida, e juntas, conseguem simular cores do espectro visível. Por serem quatro cores, esse esquema é conhecido como quadricromia, e é usado em impressões gráficas.

A verdade é que as cores vêm do equilíbrio entre as três primeiras cores. Por exemplo, misturando ciano e magenta resulta no azul. Ciano com amarelo resulta no verde. Amarelo com magenta resulta no vermelho. Percebe que as três misturas geram as cores do esquema RGB? Por isso elas conseguem simular o espectro visível. Já o preto, na teoria, é a mistura dessas três cores, mas na prática, a mistura das três cores resultam em um preto imperfeito, um preto que não é puro.

Neste caso, há muitas desvantagens. Além da impureza, produzir a cor preta misturando outras cores resulta em mais tinta no papel, podendo até rasgá-lo dependendo da gramatura do papel. Sem contar que o gasto de tinta é maior, significando mais custo. Mas como o preto ajuda a definir o nível de brilho da cor, além de ser melhor em áreas menores com predominância de preto, a tinta preta acaba sendo produzida, e acaba sendo a cor mais barata de todas. Logo, faz sentido incluir a quarta letra no nome do sistema, a letra “K”.

Neste sistema, as cores são impressas de uma forma própria, chamada “meio-tom”. Pense nas cores como camadas transparentes uma sobre a outra que, olhando bem perto, são na verdade formados por pontos praticamente microscópicos. Essas camadas são possíveis através de retículas, folhas transparentes com texturas que passam a tinta para o papel, criando o efeito dos pontos. Quanto maior a porcentagem de uma cor, maior é o tamanho desses pontos. Então sobrepondo uma cor na outra, forma-se a cor desejada.

Imagem via Silk Screen Kato
Efeito da textura da retícula, aonde o tamanho dos pontos simulam a porcentagem da cor

Efeito da textura da retícula, aonde o tamanho dos pontos simulam a porcentagem da cor

Pelo seu processo de formação das cores basear praticamente em níveis de transparência entre as camadas, o CMYK é conhecido também como sistema de cores subtrativas transparente.

Para que a qualidade da impressão seja decente, cada retícula sofre um leve deslocamento para que a cor seja espalhada de forma adequada no papel. Pense em um ponto central, e em volta deste ponto, há um círculo. A direção em que a retícula se desloca a partir do ponto central indica um grau deste círculo. Então cada cor tem deslocamentos exatos definidos por ângulos.

Sistema RYB

RYB

Seu nome significa Red, Yellow & Blue, inglês para Vermelho, Amarelo & Azul. É muito usada por artistas plásticos. Apesar da semelhança com o RGB, o RYB é obtido através de misturas de tintas, mas hoje é dito que ele é incorreto cientificamente para obter todas as cores do espectro visível, sendo considerado o CMYK como o correto.

Porém ele é usado como sistema de cores padrão no estudo das artes, tanto que é a partir dele que são definidos as cores primárias, secundárias e terciárias tradicionais.

Esse sistema surgiu pela primeira vez em um trabalho do físico, arquiteto e matemático Franciscus Aguilonius no século XVI, mas sem ter uma roda de cores criada. Porém foi só com Isaac Newton que surgiu uma roda RYB pela primeira vez, mas na época, ninguém sabia das diferenças entre sistemas de cores aditivos e subtrativos, então erros eram comuns.

Somente no século XVIII que o RYB foi estudado mais a fundo por alguns estudiosos, sendo que dois deles, Johann Wolfgang von Goethe e Michel-Eugène Chevreul, publicaram livros sobre os resultados desses estudos.

Diferente do CMYK, o RYB é conhecido como sistema de cores subtrativas opaca devido ao processo de obter as cores através da mistura natural de tintas, sem usar pontos criados através de retículas, nem porcentagens. Pense em pinceladas em um tela em branco, que fica mais fácil de entender.

Sistema PMS

Imagem via HubSpot

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PMS significa Pantone Matching System, e sim, vamos falar da famosa Pantone. Esse sistema foi criado pela empresa Pantone LLC nos anos 60 e baseia-se em uma imensa paleta de cores, onde cada cor recebe um código de identificação, justamente para que os designers possam ter certeza que a cor escolhida em seu projeto seja reproduzida com fidelidade na gráfica, diminuindo muito a possibilidade da cor ficar diferente do esperado.

Inicialmente, a Pantone, fundada em 1950, criava cartas de cores para empresas de cosméticos, mas um químico chamado Lawrence Herbert percebeu que essa organização de cores poderia ajudar a padronizar as cores naquela época. Foi no ano de 1962 que ele comprou a Pantone e criou o PMS com 10 cores. Ao longo dos anos, o número de cores foi aumentando, hoje tendo milhares de cores.

Hoje em dia, a Pantone vende leques compridos de cores impressas com a numeração e sua fórmula para chegar a esta cor. Cada cor apresenta um número seguido de um letra, que refere-se ao tipo de superfície em que ela é indicada. Por exemplo: a cor 3005 C indica um azul escuro vivo para papéis revestidos.

Um leque desses deve ser bem cuidado pois com o tempo, suas cores podem desbotar, fazendo com que ele não torne preciso, podendo enganar os olhos. O recomendado pela Pantone é guardá-los em lugares aonde não tenha exposição prolongada à luz, e recomenda também trocá-lo anualmente para manter uma comunicação de cor precisa. Infelizmente, esses guias de cores da Pantone são caros no Brasil…

Cada leque vendido pela Pantone é para algum tipo de impressão, sendo cada um, um guia. Os mais famosos são o Coated (C – revestido), para papéis como o couché, duplex e outros papéis nobres, e o Uncoated (U – não-revestido), para papéis mais baratos e porosos, como papel off-set, kraft, papel reciclado, entre outros. Os dois são muito usado por designers na criação de marcas, materiais de marketing, embalagens, e coisas semelhantes.

Outros incluem cores para decoração, interior e tecido (TCX), cores mais fiéis especialmente para embalagens (TPG), cores para nylon (TN), cores para poliéster (TSX), além de ter cores especiais, como tons metálicos. Existe alguns com cores separadas por categoria, como guia de cores de tons pastéis, cores neon, até um que indica o equivalente em RGB e CMYK.

A Pantone chegou a ter um sistema de cores hexacromáticas, usando 6 cores para formar suas cores, sendo essas as cores do CMYK mais as cores Laranja e Verde. Mas o sistema não foi para frente e deixou de existir. O mesmo aconteceu com os guias de cores fosca (M, para a palavra Matte).

Algumas cores apresentam nomes, caso das cores básicas da Pantone (Yellow, Warm Red, Rubine Red, Reflex Blue, entre outras) e das cores processadas, que simulam as 4 cores do sistema CMYK. Porém existe cores específicas criadas por puro marketing, como o azul Tiffany (PMS 1837) obtido pela Tiffany & Co., cujo código da cor é o ano em que a empresa surgiu, e só a Tiffany pode usar; e o amarelo Minion (um tom do sistema TCX) renomeado assim por causa do filme de animação Minions, mas que qualquer um pode usar.

Também por puro marketing, a Pantone costuma escolher uma cor por ano e defini-la como a cor do ano. Isso acaba influenciando alguns artistas e designers e acabam definindo cores como tendências, especialmente na moda.

A fama deste sistema é enorme, e empresas grandes de softwares gráficos acabaram aplicando elas em seus programas, caso da Adobe, aonde é possível escolher uma cor direto da interface do Adobe Illustrator. Softwares gratuitos não costumam ter paleta de cores Pantone pois eles teriam que pagar para terem isso em sua interface, indo contra a ideia de software gratuito.

O uso deste sistema requer totalmente a posse de um guia de cores impresso da Pantone em mãos para que a cor escolhida case com o trabalho final. Escolher uma cor Pantone pelo computador por olho, ou comparando uma cor por uma cor RGB ou CMYK, não garantirá um bom resultado. Portanto se você for um designer que costuma definir cores Pantone para uma marca, tenha certeza que a cor escolhida é a certa olhando em um guia de cores em ótimo estado.

Primárias, Secundárias, Terciárias…

Como dito antes, é a partir do sistema RYB que foi declarado as cores primárias, secundárias e terciárias. Vejamos mais sobre elas:

Cores primárias

Primárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

Primárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

São as cores que não podem ser decompostas em outras cores. E a partir delas, é que se formam outras cores. As três cores primárias famosas são o vermelho, o amarelo e o azul, vindas do RYB.

No RGB, seria o vermelho, verde e azul, e no CMYK, seria o ciano, magenta e amarelo. Como os nomes sugerem.

Cores secundárias

Secundárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

Secundárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

São as cores resultantes da mistura entre duas cores primárias. Seguindo o RYB, as secundárias seriam o laranja (vermelho + amarelo), o verde (azul + amarelo) e o roxo ou violeta (vermelho + azul).

No RGB, seria o ciano, magenta e amarelo, e no CMYK, seria o vermelho, verde e azul. Percebe como os dois parecem trocar de papel um com o outro?

Cores terciárias

Terciárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

Terciárias do RYB, RGB e CMYK, respectivamente

São as cores resultantes da mistura entre uma cor primária e uma cor secundária. Isso resulta em 6 cores que podem ter muitos nomes.

E vai além

Conseguimos obter mais cores ainda se misturarmos uma primária ou secundária com um terciária, e assim as cores vão surgindo. Claro, aqui, as regras somem, podendo misturar uma terciária com outra terciária, uma primária com um terciária, uma secundária com outra terciária… As misturas continuam até o ponto que nossos olhos não conseguem mais perceber a diferença entre elas.

A Harmonia das Cores no Círculo Cromático

A fim de encontrar cores que juntas criam um esquema de cores atraentes, usa-se o círculo cromático para obter uma combinação de cores que funcione. Para isso, é necessário analisar quais cores vão atender as necessidades do seu projeto.

Para ajudar, existem alguns esquemas harmônicos de cores que costumam funcionar. A maioria usam de 2 a 4 cores, mas dependendo das necessidades, pode ser criado esquemas de 5 cores ou mais. Tudo vai depender do seu bom gosto.

Abaixo segue uma lista de famosos esquemas harmônicos de cores que podem te ajudar:

Cores monocromáticas

Aqui é usado uma variação de tons da mesma cor. A ideia é criar um esquema de cores com tons claros, escuros e medianos para trazer equilíbrio.

Cores monocromáticas

Cores complementares

A cor complementar seria uma cor do lado oposto do círculo cromático. Então uma cor secundária costuma complementar uma primária, e vice-versa, dando um bom contraste. O mesmo acontece entre as cores terciárias, neste caso só entre elas já que as terciárias costumam ficar sempre em lados opostos.

Uma variação deste esquema seria o esquema de cores complementares divididas, aonde uma cor principal é usada junta com as adjacentes da outra cor, resultando em um contraste menos agressivo e mais interessante.

Existe uma terceira variação chamada cores complementares em dupla, aonde é usado as adjacentes das duas cores, podendo usar cores primárias com secundárias ou somente terciárias. Mas ela torna-se um esquema difícil de se trabalhar pois existe um desequilíbrio entre as combinações, então precisa-se pensar bem se optar por este esquema.

Cores complementares, cores complementares divididas e cores complementares em dupla

Cores complementares, cores complementares divididas e cores complementares em dupla

Cores análogas

Cores análogas costumam ser cores vizinhas, ou seja, três cores seguidas no círculo cromático. Neste caso, o contraste costuma ser fraco.

Porém existe um outra esquema de cores análogas intercaladas, aonde o contraste costuma ser maior. Dependendo da posição no círculo, as cores podem ser um pouco difíceis de combinar. Uma dica seria usar somente cores frias ou quentes.

Uma terceira opção seria usar cores análogas com uma cor complementar, aonde a cor complementar assume um controle maior sobre as outras cores, aumentando bastante o contraste.

Cores análogas, cores análogas intercaladas e cores análogas com complementar

Cores análogas, cores análogas intercaladas e cores análogas com complementar

Cores triádicas

O esquema triádico consiste em pegar cores posicionadas em uma distância igual, formando sempre um triângulo de ângulos iguais. Isso costuma gerar um esquema de cores com um bom contraste.

Neste caso, as cores sempre serão somente primárias, secundárias ou terciárias. Elas nunca vão se misturar.

Cores tetrádicas

Assim como o triádico, o esquema de cores tetrádicas também pega cores posicionadas em uma distância igual, mas ao invés de três cores, é escolhido quatro cores, formando um quadrado perfeito.

Porém pode-se optar por selecionar dois pares de cores complementares lado a lado para conseguir uma combinação de cores com bastante contraste e muito fácil de se trabalhar.

Cores tetrádicas retangular e quadricular

Cores tetrádicas retangular e quadricular

Adobe Color

Olhando as imagens acima, foi usado um círculo cromático limitado. No caso de estudar uma combinação, usa-se um círculo cromático com muito mais cores. Um exemplo pode ser visto no serviço da Adobe chamado Adobe Color, aonde é possível planejar as cores através de um disco de cores interativo, podendo definir 5 cores em posições variadas seguindo esquemas harmônicos similares aos citados acima. Vale a pena dar uma olhada.

Agora, entregue-se as cores!

Agora que você sabe melhor como as cores funcionam (assim espero), você pode começar a planejar melhor as cores para seus próximos projetos. Não há regras específicas quando trabalhamos com cores, mas é sempre bom procurar escolher as cores certas para atingir o objetivo do seu trabalho.

Então seja criativo, estude bem o que você quer transmitir com as cores e desenvolva um esquema de cores sem medo de ser feliz. Ousadia é a palavra-chave, e só assim conseguimos ir além do que achamos que podemos fazer.

Espero ter te ajudado de alguma forma. Que venham ótimos trabalhos para você!

Fontes

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Comentários deste povo lindo!

    • Diego Alencar  |   |  Responder

      Obrigado Sheila! Visitarei seu blog assim que possível!!